Alberto Carneiro, CRP-32710/05 , Master's Degree in Clinical Psychology and e PhD ( in course) in Public Health (FIOCRUZ- Brazil) and internship at University of Windsor, Canadá.

parada LGBTT 2008 de Rio Branco

parada LGBTT 2008 de Rio Branco

Junto com o  NUDICHO, Núcleo de Direitos Humanos e Combate à Homofobia aqui do Acre, iniciamos uma pesquisa quantitativa que se dará durante a parada LGBTT  de Rio Branco, dia 14 de setembro de 2008. Queremos saber quantos são, quem são e o que querem as pessoas que participam deste evento na capital acreana e a razão de muit@s del@s, após a parada, voltarem para o armário. Haverá uma pré-seleção de entrevistador@s, atraves de curriculo e breve redação e , após isso, uma capacitação no dia 05 de setembro. Parece que vai sair coisa boa !

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Após dois anos de Mestrado, começo a divulgar as conclusões de meu trabalho sobre a investigação da co-parentalidade homossexual no interior do estado do Rio de Janeiro. À princípio, divulgo a conclusão de nossa pesquisa, ou seja, o capítulo final da dissertação. Comentários, críticas e.. elogios ( por que não? rsrs) são bem-vindos!

 O objetivo de nossa pesquisa foi investigar de que forma os entrevistados constroem a configuração familiar chamada homoparental a partir do ponto de vista da co-parentalidade. Para fins de análise, usamos o Método de Explicação do Discurso Subjacente (MEDS), de Nicolaci-da-Costa (2007), a fim de evitar categorias pré-definidas, já que a investigação a respeito da co-parentalidade homoparental é ainda muito recente no Brasil. Com isso, foi possível criar categorias baseadas no cruzamento de informações obtidas durante as entrevistas e, traçando um paralelo com a fundamentação teórica queer, delinear algumas conclusões.

Nossos sujeitos foram três companheiros de pais homossexuais que estavam vivendo a experiência da co-parentalidade com parceiros do mesmo sexo pela primeira vez. A idade dos entrevistados variou entre 19 e 31 anos, todos da classe media, moradores de uma cidade do interior do estado do Rio de Janeiro. A razão de não ser informado o nome da cidade se deve ao fato da possibilidade de identificação destas famílias ao longo deste trabalho, caso esta fosse revelada.

As principais conclusões apontam para um certo desconforto da maior parte dos entrevistados em relação à rede social mais ampla, no sentido de busca de aceitação desta configuração familiar, ao mesmo tempo em que o fato de não serem pais parece aumentar o estigma social da homossexualidade para estes sujeitos.

Portanto, ao engendrarmos a desconstrução de identidades estanques, buscaremos melhorar não só a qualidade de vida de famílias constituídas por pessoas do mesmo sexo, com filhos oriundos de relações heterossexuais anteriores, como também tentaremos contribuir para a mais fácil assimilação por partes das crianças desta nova realidade. Isso porque a identidade homossexual foi uma invenção do século XIX, onde relações que antes eram taxadas como sodomitas passam a ser categorizadas e consideradas desviantes da norma social vigente, tendo obviamente como conseqüência a segregação dos que se enquadravam nesta nova identidade social. O que observamos em nossa pesquisa, apesar do ainda bastante presente preconceito internalizado nos homossexuais, é que a noção estanque desta identidade, notadamente na geração mais jovem, parece se modificar, ainda que timidamente. Em todos os sujeitos notamos bastante marcado um questionamento sobre a idéia de uma comunidade homossexual e o desejo de rompimento com esta forma hermética e homogênia de se relacionar. Há uma nova atitude em relação ao que nossos entrevistados entendem como identidade homossexual e esta nova postura passa a determinar um novo olhar para esta comunidade. O que antes era visto como necessário – decidir entre permanecer na sombra ou assumir-se – aos poucos parece transformar-se em um sentimento mais coletivo, onde esta comunidade, antes de ser porto de acolhida e suporte, começa a ser vista uma alternativa auto-segregante. Contudo, atentando também para o discurso de nossos participantes, é nítido que ainda falta a clareza de objetivos definidos nesta nova forma de se viver afastado de uma comunidade fechada em uma identidade cristalizada: qual o modo de agir? Como reorganizar o universo interno de cada um diante da fluidez de um conceito identitário que até agora era tão poderoso e internalizado em cada um deles? O que concluímos é que este dilema , ao contrário de gerar conflitos, parece ser estimulante e contribuir para uma produção afetiva a partir de um outro lugar que não passa pelo de homossexual excluído e vitimizado. Através da análise de conteúdo do discurso dos sujeitos foi possível, portanto,verificar que o binarismo hetero/homossexualidade pouco responde às questões do estudo da homoparentalidade, já que a orientação sexual dos pais nada interfere no exercício da paternidade.

Para além da sexualidade de nossos participantes, esta nova visão a respeito de si mesmo aponta para uma mudança bem maior do que simplesmente a reavaliação de uma identidade sexual: o prazer passa a ser redimensionado e todos os campos da subjetividade do sujeito passam por uma reformulação, uma vez que deixam de atuar em dualismos ,deslocando o indivíduo de uma posição vitimizadora e oprimida e igualando-o com aquele que antes era considerado o opressor, pois também era visto como tendo uma identidade sólida. Para tanto, este último também deixa de ser o “vilão”. Assim, ao invés de mostrar uma saída, esta nova postura pós-identitária, formulada pela teoria queer, propõe que se repense as identidades já naturalizadas e como elas chegaram a tal ponto. Enfim, a referida teoria propõe uma nova postura diante da vida e de si mesmo, tão bem resumida por Felipe, de forma muito mais brilhante do que qualquer academicismo poderia conseguir:

 

Se ele é artilheiro, eu também quero sair do banco”.

 

Depois de mais de um ano longe do mundo virtual, eis que volto a escrever!

Neste período muita coisa aconteceu: concluí meu mestrado, viajei para o Acre, dei aula em duas universidades por la e agora preparo meu Doutorado, provavelmente na UERJ, ainda a respeito da paternidade homossexual, mas agora, amadurecido, procuro incluir o judiciário nas pesquisas para saber a quantas anda este poder em relação aos direitos dos homossexuais. Meu recorte será no Rio de Janeiro e farei parte de uma pesquisa maior, já em andamento, da Anna Paula Uziel. Parece bastante interessante! Entao… mãos à obra!

Aproveito este retorno para agradecer de coração meus alunos acreanos , das duas universidades nas quais ainda leciono, pois me ensinaram e ensinam muito mais do que eu jamais poderia fazer.. obrigado !

VII RAM

A VII RAM, da qual participei, em Porto alegre, foi um sucesso. Os trabalhos no GT do qual eu estava inscrito foram todos de alto nivel acadêmico. Particularmente a apresentação da psicanalista Elizabeth Zambrano me impressionou muito bem, na qual ela dissertou a respeito da ocorrência do tema HOMOPARENTALIDADE e HOMOSSEXUALIDE em nossa sociedade, seja em meios acadêmicos quanto leigos. Muito interessante!Eu falei sobre a homoparentalidade, questionando a noção de alteridade associada a esta configuração familiar… enfim.VII RAM..foi ótimo! Parabens a tod@s nós!!

Durante meu Mestrado tive contato com o Método de Explicação do Discurso Subjacente (MEDS), que em muito contribuiu para direcionar minha pesquisa de campo a respeito da homoparentalidade e acredito ser este um excelente método, por isso resolvi postar neste Blog.

Por ter um tema considerado ainda por muitos como “polêmico” e “delicado” é fundamental que eu mantenha um método de trabalho o mais isento possível a fim de obter bons resultados na pesquisa.

Para tanto, o “MEDS” parece ser a forma mais adequada de trabalho. Um mundo em constante mudança, não há possibilidade de não haver conflitos e por isso, iniciar este trabalho sem tecer hipóteses sobre um assunto que gera calorosos debates tanto no meio acadêmico quanto fora dele, é de vital importância.

Segundo este método, a língua que falamos, quando internalizada, traduz regras e valores do grupo social do entrevistado e ouvi-lo com atenção, por si só, já é um grande passo para se pesquisar um vasto material sem entrar necessariamente em teorias (e às vezes, justificam, na verdade, a chegada à hipótese que o “pesquisador” procura, veladamente ou não, defender) que explicariam a fala do entrevistado. Por isso, acredito que o MEDS deve ser usado em meu trabalho, uma vez que acredito que a forma de vermos o mundo é socialmente construída.

Um aspecto que me chamou atenção no MEDS foi a grande importância dada às entrevias-piloto e a forma destas, baseadas em conversas informais, já que se algo for importante para o participante, o tema aparecerá durante seu discurso.

Quanto aos objetivos do método, podemos citar o genérico e o específico.

O objetivo genérico seria o de ouvir com atenção o sujeito e deixá-lo falar da forma mais livre possível.

Os objetivos específicos são conhecer as crenças, opiniões etc destes sujeitos e trazer à tona possíveis conflitos e contradições em seu discurso.

Quanto a este ultimo, gostaria de me deter um pouco mais, pois me foi útil já na fase

embrionária de minha pesquisa.

Para identificar estes possíveis conflitos, lança-se mão de duas análises de discurso: a

interparticipantes e a intraparticipantes, onde a 1ª é usada comparar o discurso dos

participantes, traçando pontos em comum e dissonantes sobre o assunto pesquisado.

A 2ª analise é individual, onde se analisa com cuidado a fala do sujeito, a fim de identificar

as contradições em sua fala.

Por exemplo, se um pai afirma que ser homossexual e exercer a paternidade não parece

trazer maiores dificuldades, pois antes de ter sua orientação sexual diferente da maioria,

ele é pai igual a qualquer outro, mas, logo depois, este mesmo sujeito afirma ter receio de

possíveis dificuldades em relação à adolescência de seu filho (e as explicações que teriam

de ser dadas), temos aí uma contradição e conflito psicológico em sua fala.

Para sabermos se este conflito é comum ao grupo pesquisado, faz-se a analise

interparticipantes, onde todas as entrevistas são comparadas. Caso constate-se o mesmo

conflito na fala da maioria dos entrevistados, temos em mãos, possivelmente, uma

transformação social em curso.

Pois bem, em todas as minhas entrevistas-piloto (foram quatro) os sujeitosafirmavam estar muito seguros de sua paternidade e que não haveria maioresproblemas na criação dos filhos, pois os direitos dos homossexuais já são bemmais observados.

Logo depois, estes mesmo participantes vacilavam ao abordar o tema da sexualidade dos filhos e se tinham receios em influenciá-la. Todos responderam que têm temor que isto aconteça, pois a paternidade homossexual é diferente (todos os sujeitos usaram este termo) da heterossexual. Claramente, através destas respostas, é fácil perceber que temos aqui uma mudança de paradigma em nossa sociedade, onde os homossexuais têm mais liberdade, mas ainda parecem trazer valores tradicionais muito fortes com eles e isto está claro nos conflitos e contradições de meus entrevistados, detectados através da analise interparticipantes.

O roteiro também é outro ponto interessante a se observar no MEDS.

Ao invés de perguntas já prontas, o MEDS opta acertadamente por um roteiro, onde tópicos são listados e, através deles, são feitas perguntas semi-estruturadas, pois assim é possível dar ao entrevistado liberdade para falar o que ele realmente sente e, através de seu discurso, captarmos o sentimento por trás de suas palavras.. Perguntas de aprofundamento são necessárias somente quando percebermos algum ponto que mereça nossa atenção. Através delas, pode-se ter mais informações sobre aspectos mais delicados do tema abordado.

No meu trabalho, faço exatamente assim.

Listo tópicos que devem ser abordados e, com eles em mente faço perguntas abertas e deixo os entrevistados falarem.

Os principais tópicos que eu listei nas entrevistas-piloto foram, em ordem:

Como é ser um pai homossexual;

A Rotina do casal com os filhos;

Divisão de tarefas dentro dessa rotina;

Preconceito;

Vida social dos filhos e do casal

Estes tópicos não precisam ser abordados em ordem. Se o pesquisador perceber que o participante já falou determinado assunto, não se deve repeti-lo e, se um tópico que estava programado para ser abordado posteriormente, surgir na fala do sujeito, este deve ser explorado.

Explorando mais um pouco a minha pesquisa propriamente dita, fiz quatro entrevistas-pilto, como já mencionei, com casais de homens (antes havia feito com mulheres, mas preferi descartar este grupo para o Mestrado), de camadas médias da zona sul carioca, entre 25 e 45 anos que vivem relacionamentos estáveis há mais de dois anos, com filhos adotados. Não usei casais que vieram de casamentos heterossexuais, por acreditar que façam parte de uma amostra bastante distinta da qual eu me propus a estudar.

Usando as análises intra e interparticipantes nas entrevistas –piloto, pude constatar

pontos em comum em todos os casais, a saber:

Religião: ensinar ou não aos filhos (e como fazê-lo) a acreditar em um Deus que condena, com maior ou menor veemência dependendo da religião, o que papai e papai ou mamãe e mamãe fazem entre os lençóis;

Social: elaborar respostas e estratégias de escape aos argumentos psicologizados de que faltará ao filho a figura paterna ou materna, ou de que este crescerá em um ambiente degradante que poderia “contaminá-lo”.

-Dinâmica Familiar: todos apontam para uma preocupação no sentido de como lidar com a conjugalidade homossexual e a reação do filho/a e da aceitação desta conjugalidade e dos filhos no seio familiar e em seu circulo social.

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homofobia? O que é isto?

A Família

A família nuclear, tal qual a concebemos hoje, se constituiu ao longo dos séculos XVI ao XVIII e teve como uma das bases de sustentação a diferença sexual e a proibição do incesto entre outros interditos. A partir disso, é possível compreender a elaboração do amor romântico no século XIX, que regia a ordem social da época e libertou o vínculo conjugal de laços de parentescos mais amplos. Com a invenção da pílula anticoncepcional e do preservativo a  sexualidade passa  a não estar ligada necessariamente à reprodução e a concepção passa a ser artificialmente produzida, mais que apenas artificialmente inibida: a sexualidade fica afinal plenamente autônoma, fazendo com que a família passasse por diversas mudanças.

Portanto, para que possamos entender a diversidade das relações em nossa sociedade e a maneira como estas se transformam, é importante estudarmos os novos arranjos familiares e, entre eles,  a paternidade homossexual, que já é uma realidade na sociedade ocidental contemporânea.  A questão central deste post está relacionada exatamente à relevância da legitimação social da homoparentalidade e se a falta desta legitimação afeta a dinâmica familiar. Tendo em vista que a conjugalidade homossexual apresenta uma grande diversidade, escolhi como foco de minha pesquisa qualitativa em meu Mestrado apenas casais masculinos (seis ao todo),  em união estável há mais de dois anos, com ao menos um (a) filho (a) adotado (a) e sem filhos gerados em relacionamento heterossexual anterior. Justifico minha escolha através de alguns dados já obtidos, como o  fato de que nos casais que não trazem filhos de outros casamentos, os pais parecem ter  um discurso já articulado, e a criança cresce sabendo que tem dois pais ou duas mães, Além disso, nestes  casos, com freqüência a orientação sexual dos pais parece não ser segredo na escola dos filhos, no círculo familiar e, às vezes, até no profissional, sendo esta situação bastante diferente daquela em que  o filho viveu anteriormente em uma família heterossexual. Para realizar este trabalho desenvolvo uma pesquisa de campo sobre histórias de vida destes casais, usando entrevistas com perguntas semi-estruturadas, investigando questões tais como as dificuldades de formar uma família homoparental , como esta família lida com o preconceito e a auto-imagem dos pais homossexuais em relação ao papel exercido.

Com isso, procuro contribuir para um melhor entendimento desta nova forma de estrutura familiar, assim como estimular o debate na academia de um tema ainda pouco explorado.

Alberto Carneiro

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