Alberto Carneiro, CRP-32710/05 , Master's Degree in Clinical Psychology and e PhD ( in course) in Public Health (FIOCRUZ- Brazil) and internship at University of Windsor, Canadá.

A Família

A família nuclear, tal qual a concebemos hoje, se constituiu ao longo dos séculos XVI ao XVIII e teve como uma das bases de sustentação a diferença sexual e a proibição do incesto entre outros interditos. A partir disso, é possível compreender a elaboração do amor romântico no século XIX, que regia a ordem social da época e libertou o vínculo conjugal de laços de parentescos mais amplos. Com a invenção da pílula anticoncepcional e do preservativo a  sexualidade passa  a não estar ligada necessariamente à reprodução e a concepção passa a ser artificialmente produzida, mais que apenas artificialmente inibida: a sexualidade fica afinal plenamente autônoma, fazendo com que a família passasse por diversas mudanças.

Portanto, para que possamos entender a diversidade das relações em nossa sociedade e a maneira como estas se transformam, é importante estudarmos os novos arranjos familiares e, entre eles,  a paternidade homossexual, que já é uma realidade na sociedade ocidental contemporânea.  A questão central deste post está relacionada exatamente à relevância da legitimação social da homoparentalidade e se a falta desta legitimação afeta a dinâmica familiar. Tendo em vista que a conjugalidade homossexual apresenta uma grande diversidade, escolhi como foco de minha pesquisa qualitativa em meu Mestrado apenas casais masculinos (seis ao todo),  em união estável há mais de dois anos, com ao menos um (a) filho (a) adotado (a) e sem filhos gerados em relacionamento heterossexual anterior. Justifico minha escolha através de alguns dados já obtidos, como o  fato de que nos casais que não trazem filhos de outros casamentos, os pais parecem ter  um discurso já articulado, e a criança cresce sabendo que tem dois pais ou duas mães, Além disso, nestes  casos, com freqüência a orientação sexual dos pais parece não ser segredo na escola dos filhos, no círculo familiar e, às vezes, até no profissional, sendo esta situação bastante diferente daquela em que  o filho viveu anteriormente em uma família heterossexual. Para realizar este trabalho desenvolvo uma pesquisa de campo sobre histórias de vida destes casais, usando entrevistas com perguntas semi-estruturadas, investigando questões tais como as dificuldades de formar uma família homoparental , como esta família lida com o preconceito e a auto-imagem dos pais homossexuais em relação ao papel exercido.

Com isso, procuro contribuir para um melhor entendimento desta nova forma de estrutura familiar, assim como estimular o debate na academia de um tema ainda pouco explorado.

Alberto Carneiro

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Comments on: "A Família" (4)

  1. No sexto semestre da faculdade escolhi o tema “representação social da adoção por homossexuais” . Visitei um grupo chamado “Estruturação” aqui em Brasília , discutimos o tema, e ao final deu pra conhecer um pouco do significado da adoção pra o grupo em questão. Por ser uma pesquisa qualitativa , dificil generalizar (e nem pode) . Mas deu pra sentir um pouco os receios relacionados a ser pai ou mãe , alguns nem sequer tinham a vontade de adotar e sim terem filhos biologicos, outros nem adotados , nem biológicos. Pra mim , como estudante foi uma experiência rica, e tem que se discutir tanto a noção de família , que hoje se estabelece mais por vinvulo afetivo do que por laços sanguíneos , a situação da criança a ser adotada , que é mais complexa do que parece , o preparo emocional desses pais pra lhe dar com o preconceito e fornecer , apesar disso , um ambiente favorável pra o crescimento saudável da criança. Querido , boa sorte no seu trabalho, sempre q puder vou dá uma lida aqui pra acompanhar sua pesquisa. Abraços.

  2. alberto carneiro said:

    pois é…nao temos todos que adotar nossos filhos , mesmo sendo biológicos?

  3. Temos todos que amar nossos filhos, sejam eles adotivos ou biológicos. Filho traz alegria , tristeza , preocupação, realização. É uma responsabilidade mto grande e requer muito amor, muito amor mesmo. No caso de quem se propõe a adotar uma criança, a pessoa que adota tem que ter em mente , que não é um ato de caridade. Se for por caridade e não por um amor incondicional e o mais singelo desejo de ser pai ou mãe, não deve adotar. Fará mal à criança e à quem adota. Filho é filho , somente.

    Ps: Qd coloquei a questão de que alguns queriam ter filhos biológicos, é que muita gente tem em mente que o homossexual só quer ter filhos adotivos , pra não se envolver num relacionamento ou vínculo hetero. E , pela minha pesquisa , nas entrevistas, o que alguns me disseram é que pensam em ter filhos biólógicos , seja por uma relação sexual fortuíta , somente com este objetivo ou por inseminação artificial. Essas respostas , desmontam uma idéia que normalmente se tem sobre maternidade e paternidade , quando se pensa em homossexuais.

    Também não gosto de pensar o assunto como “paternidade homossexual”. A exemplo disso tem um “pai” no rio que adotou uma criança e disse algo mais ou menos assim “Não sou pai homossexual , sou simplesmente pai do meu filho”. Ele ama e cuida do filho e cumpre suas atribuições de pai, mas sua “orientação” “opção” sexual , seja como for a forma que vc entenda é homossexual.

    bjs , querido

  4. alberto carneiro said:

    Helen,
    Seu comentário é muito pertinente, principalmente no tocante ao termo ” paternidade gay”. Também tenho ressalvas em relação a posições que nada mais fazem do que reforçar uma dita alteridade. Quando a família gay é aceita no mainstream parece-me que, na verdade, é uma forma de ” enquadramento” dos gays e lésbicas em uma cultura heteronormativa. É como se dissessem: “ok , até podemos aceitar sua orientação sexual diferente, desde que adotem o modelo tradicional de família imposto por uma cultura heterocentrada.Os casais de sexo oposto estão se afastando do modelo tradicional de família. portanto, resta aos gays a tarefa de manter esta instituição da forma mais tradicional possível. A reivindicação do caamento gay e da homoparentalidade é , segundo Judith Butler, uma ” resposta envergonhada” da comunidade GLBTT.

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