Alberto Carneiro, CRP-32710/05 , Master's Degree in Clinical Psychology and e PhD ( in course) in Public Health (FIOCRUZ- Brazil) and internship at University of Windsor, Canadá.

A crença de que casais gays ou lésbicos fazem parte de um arranjo familiar chamado alternativo parece ser questionável, pois para que algo seja alternativo, terá de sê-lo em relação à um modelo, um padrão à ser seguido pela maioria.  

Contudo, as configurações familiares baseadas na conjugalidade homoerótica parecem “concentrar certas tendências presentes em contextos marcados por processos de modernização e (…) seus atores seriam os verdadeiros sujeitos da família pós-moderna, com sua ênfase na afeição e na escolha” (Tarnovski, 2002). Esta tendência de que fala Tarnovski pode ser trazida inclusive para a parentalidade, pois, segundo Áries (1981), “é a criança, erigida em personagem central da cena familiar, que constrói o sentido de família, e que nada mais é do que a culminação das tendências históricas”.

O casal homossexual traz a novidade, portanto, de uma filiação que não está baseada na reprodução, onde o “pai, assim reconhecido, transmite um lugar social, juridicamente definido, regulando direitos e obrigações. O companheiro (…) também se constitui num canal de transmissão, mas sobre uma base afetiva” (Tarnovski, 2002), seguindo os moldes das famílias pós –modernas, onde o afeto é o elo principal de união entre seus membros. Estamos saindo da família nuclear e entrando em uma sociedade que sinaliza à pluralidade de organizações familiares.Esta forma de conjugalidade contemporânea não tem qualquer pretensão de subverter a principal lei do parentesco em nossa cultura, a saber, a proibição do incesto, uma vez que a pedofilia seria uma das razões pelas quais a sociedade desaprovaria a parentalidade homossexual.Contudo, esta patologia nada tem de relação direta com a orientação homossexual, além de a maioria dos crimes de pedofilia serem praticados por homens heterossexuais contra meninas.

Da mesma forma, é importante perceber que a família é uma instituição que se transforma, pois está nesta mesma sociedade e, sendo ela a célula que forma o corpo social, não é imutável, intocável ou estática. Esta característica de transformação da família, que começou com a noção de linhagem na Idade Média, até o núcleo homoparental do inicio do século XXI, não deve ser confundida com crise. A família não está em crise ou jamais esteve, pois “ela é amada, sonhada e desejada por homens, mulheres e crianças de todas as idades, de todas as orientações sexuais e de todas as condições, e todas as pesquisas sociológicas mostram isso” (Roudinesco, 2002).

 Portanto, casais gays não devem ser vistos como um “sinal de decadência dos valores familiares”, mas antes, como uma evolução natural do conceito de família. E o desejo de gays e lésbicas ser pais e mães é legítimo e deve ser respeitado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
TARNOVSKI, Flávio Luiz, PAIS ASSUMIDOS: adoção e paternidade homossexual no Brasil contemporâneo, 2002, Florianópolis, UFSC, Dissertação de Mestrado 114 páginas.
ROUDINESCO, Elisabeth,. A família em desordem. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2003. 199 p. ISBN 8571107009.
ARIÈS, Phillipe, Historia Social da Criança. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1981.
2a edição.    

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Comments on: "Gays e Lésbicas devem ter Direito à Parentalidade?" (4)

  1. SOU CONTRA A ADOPTÇÃO DE CRIANÇAS POR PARTE DE CASAIS HOMOSSEXUAIS!!!

    As crianças tem o direito a ter uma família normal!!!

  2. anjo azul said:

    E o q há de anormal na homossexualidade?

  3. alberto said:

    ola…
    respeito sua opiniao, desde que voce seja capaz de embasá-la de forma convincente. “Uma familia normal” nao diz nada. Normalidade é um conceito vago.

  4. Olá. Sou jornalista e gostaria de falar com você sobre a parentalidade de um casal de mulheres, sendo que não se trata de adoção. Podemos nos falar por outros meios que não este blog? Aguardo contato. Grata.

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